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Sexta-feira, 11 de Março de 2005
Outro blog

Não voltarei a colocar nada neste blog, até que o serviço seja satisfatório, pois aparentemente continuam os mesmos problemas e o péssimo serviço.


Estou dedicada ao blog que iniciei em Julho de 2004, num servidor que me tem satisfeito extarordinariamente.
Encontrar-me-ão por lá.


Palavras Apenas - as minhas palavras.

publicado por Anjo do Sol às 16:11
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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2004
Anjos

Até criar um espaço novo em substituição deste, vou colocando por aqui qualquer coisa, apenas para não o deixar parado.


ANJOS


Os anjos são rijos como as pedras
E leves como as plumas.
Na leira rasa das aves, Tu que redras
Terra, névoas e espumas,
-Deus, de teu nome!- sabes
que um anjo é pouco e imenso:
Por isso cabes
No cabes no anjo e ergues o incenso.

Desfaleço a pensar-te
Ó ser de anjos e Deus
Que baixa em mim:
Sobe-me na alma, que ando a procurar-te
E dizendo-te Deus
Acho-te assim.

Lívidos, sem respiração
Ficávamos do toque
Da primeira asa vinda;
Mas eles rondam apenas a oração
Que murmura os evoque
E vão-se e tornam ainda.

Deles para cima, ainda mais graus de glória
Relutam ao sentido
Que deles vem á memória
Como uma bolha de ar na água de olvido:
No mais, são tão pesados,
Os anjos leves ao justo...
Tão alados,
Mas desgostosos do nosso susto!

É isso! Disse-mo agora
O verbo súbito surpreso:
Ser anjo é espanto da demora
Nossa e do peso pávido
Que nos estende.
Terrível é quem toca terra
Para a levar, e não a rende.

Que o anjo de si é ávido
De transe e rapidez,
E é ele que chora
Nosso chumbo hora a hora
É ele que não entende
A nossa estupidez.

de Vitorino Nemésio

publicado por Anjo do Sol às 01:14
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2004
Regresso
Em breve este espaço retomará o seu rumo.
Se o Sapo o permitir, continuarei a andar por aqui.
Se os problemas se mantiverem, criarei a continuação deste blog, em outro servidor.

Daqui a alguns dias retomarei este blog, o que não é possível de imediato devido a questões técnicas.

E também alguma falta de motivação, por razões que muitos já conhecem, pelo que leram no meu outro blog.

Abraços e beijinhos
publicado por Anjo do Sol às 14:30
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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2004
Máscaras e Mesquinhez

Hoje recuei alguns anos e fui em busca de pedaços de mim que fui deixando no mundo da Internet, quando ainda nem se falava em blog’s.
Nas minhas memórias que não são perdidas no tempo, mas apenas adormecidas, para serem acordadas sempre que a necessidade se impõe, fui encontrar frases, conceitos, ideias e debates que são sempre actuais.
Penetrei no passado e perdi-me em leituras de outros tempos, anos.
Talvez a época em que acreditava piamente que o ser humano não era tão mesquinho como tenho vindo a conhecer.
Não foi assim há tanto tempo. Regressei ao passado de Março de 2002.
Sempre um pouco utópica mas, em simultâneo, com os pés assentes na terra, tentava não acreditar que fosse possível o ser humano poder preocupar-se mais com questões sem importância real, e menos com as essências da vida.
Acreditem, essa minha utopia ainda não desapareceu.
Mesmo que me depare todos os dias com a tal mesquinhez embrutecida por esta selva, até aqui na blogosfera, ainda acredito nas pessoas de bem.
E existem algumas dessas pessoas com as quais tenho o prazer de conversar e de considerar como amigas.

Em determinada altura, nesse tal fórum, comecei a falar de Mudanças de Personalidade que ocorrem no ser humano, e que chamamos vulgarmente de Máscaras. Talvez este seja mesmo o termo mais adequado.
E dir-me-ão vocês: e quem não usa uma máscara no seu dia a dia?
Também é verdade. Não deixamos de as usar sempre que disso necessitamos.
Não acredito numa pessoa que me diga: eu não uso qualquer máscara.
Como forma de defesa, escondendo fragilidades, sim. Não com o intuito de enganar a fim de deturpar verdades.
Mas, nem era bem a isso que me referia na altura em lancei tal tema a debate. Mas, sim à questão da mudança de personalidade para a adequar a alguém ou a algo determinado.
E dizia eu quanto a isso que, um dia, a máscara acaba sempre por cair e a verdadeira personalidade revela-se por debaixo da tal face que antes se mostrava límpida.
Quem me conhece desde há dois anos atrás dos fóruns do Sapo, lembrar-se-á deste tema que gerou alguma controvérsia.

Pegando nesta questão e aplicando-a agora e ao que tenho vindo a conhecer também aqui, na blogosfera, vejo que continuamos a ver e a descobrir máscaras.
Mas, estas caem com tanta facilidade que logo nos deparamos com a verdadeira face das pessoas que, de forma mesquinha, se preocupam demasiado com o que os outros fazem - se cantam, se dançam, se amam, se se deitam para a esquerda ou para a direita, se comem em pé ou sentados; pessoas que se deveriam preocupar um pouco mais com a sua própria vida e não perder tempo em busca de algo para tentar atingir o seu semelhante.
E eu pergunto-me: o que ganham com isso?

Pergunto ainda: porque não fazem da blogosfera um local de lazer em vez de um espaço de competição?
Porque não deixam a selva lá fora quando se sentam em frente a um computador e vêm conviver virtualmente com pessoas que nem se incomodam se escrevem, se pintam, ou se se mascaram de palhaços? Sim, mascaram de palhaços. Porque os palhaços de profissão usam uma máscara de riso quando, por vezes, choram, porque disso necessitam como o seu ganha-pão.
Porque insistem em fazer também da Internet, um espaço de guerra, em vez de um local de paz, riso e descanso?

Será por não lhes restar mais nada?

publicado por Anjo do Sol às 01:25
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Sexta-feira, 13 de Agosto de 2004
Parábola da Rosa




Um certo homem plantou uma rosa e passou e regá-la constantemente e antes que ela desabrochasse, ele a examinou.
Ele viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou:
"Como pode uma bela flor vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?"
Entristecido por esse pensamento, ele se recusou a regar a rosa e, antes que estivesse pronta para desabrochar, ela morreu.
É assim com muitas pessoas. Dentro de cada alma há uma rosa: as qualidades dadas por Deus e plantadas em nós crescendo em meio aos espinhos de nossas faltas.
Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos. Nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nós, e, consequentemente, isso morre.
Nós nunca percebemos nosso potencial. Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas. Alguém mais deve mostrá-la a elas.
Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas.
Esta é a característica do amor, olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras faltas.
Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.
Se nós mostramos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus espinhos.
Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.

(desconheço o autor)

Então, vamos olhar as rosas, e cuidar delas, apesar de todos os espinhos.

publicado por Anjo do Sol às 23:13
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Quarta-feira, 11 de Agosto de 2004
Mais uma vez - A Amizade!

Procura-se um amigo


Não precisa ser homem, basta ser humano,
basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada,
de pássaro, de sol, da lua, do canto,
dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém,
ou então sentir falta de não ter esse amor...
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão,
nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro,
mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e,
no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos,
que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples,
de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer,
para contar o que se viu de belo e triste durante o dia,
dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados,
de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver,
não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando,
mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

(desconheço o Autor)

publicado por Anjo do Sol às 12:57
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Quinta-feira, 5 de Agosto de 2004
Tio

porsol.jpg

Hoje, dia 5. Faz um ano que faleceu o meu tio.
Faz hoje um mês recordava aqui a partida de outro tio.
Realmente o ano de 2003, foi um ano de despedidas.
Partiram ambos com um mês de intervalo.
Nenhum laço familiar os unia. Apenas o conhecimento e a amizade de duas pessoas que pertenciam a dois lados de uma mesma família.
Se, antes, pouco se viam, devido às circunstâncias - principalmente a distância, hoje, acredito que estejam juntos.
Cada um com o braço por cima dos ombros do outro, rindo como ambos gostavam.
Quase consigo ouvir o seu riso cristalino. As suas gargalhadas de quem ri com prazer.
Este quanto sofreu nos seus últimos dias, semanas.
Não pudemos evitar-lhe o sofrimento. Depois, ficou em paz.
Quando partiu para aquela outra dimensão. Em busca da companhia do outro meu tio que o esperava.
Para nós que o amamos, está vivo. Sempre estará.
Na nossa memória.
Nos nossos corações.
Beijos, Tio

publicado por Anjo do Sol às 22:41
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Quarta-feira, 4 de Agosto de 2004
Romantismo

Seremos ainda românticos
- e entraremos na densa mata,
em busca de flores de prata,
de aéreos, invisíveis cânticos.

Nas pedras, à sombra, sentados,
respiraremos a frescura
dos verdes reinos encantados
das lianas e da fonte pura.

E tão românticos seremos
de tão magoado romantismo,
que as folhas dos galhos supremos
que se desprenderem no abismo

pousarão na nossa memória
- secas borboletas caídas -
e choraremos sua história,
- resumo de todas as vidas.

 Cecília Meireles (in Mar Absoluto)

publicado por Anjo do Sol às 09:38
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Segunda-feira, 26 de Julho de 2004
Blog

Meus amigos, tal como já havia dito, este blog será apenas para postar de vez em quando.
Assim, convido-vos a ir até ao novo, já que não regressarei aqui durante os próximos dias.

Já agora, todos os que colocaram este endereço de blog nos seus links, eu peço para alterar e colocar antes o novo.

Poderão também levar esse banner.

Encontrar-nos-emos aqui:



Até já!

publicado por Anjo do Sol às 12:20
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Carlos Paredes

Não sei se por apenas por falta de tempo se, principalmente, para não fazer como a maior parte, não tenho muito o hábito prestar homenagem no dia em que desaparecem estes grandes artistas do nosso tempo - de todos os tempos. Normalmente, faço-o uns dias depois.
Por isso, aqui fica a devida homenagem a Carlos Paredes. A música que ouvem é "Verdes Anos". São gemidos de uma guitarra.


«As pessoas gostam de me ouvir tocar guitarra, a coisa agrada-lhes e eles aderem. Não há mais nada», falou com a sua modéstia, ao jornal "Público" numa entrevista em 1990.

1925 - Nasce, a 16 de Fevereiro, em Coimbra, filho do célebre guitarrista Artur Paredes.

1929 - Com apenas 4 anos, aprende a tocar guitarra portuguesa com o pai.

1957 - Grava o seu primeiro disco, um EP intitulado apenas Carlos Paredes e publicado pela Alvorada.

1960 - Música de Paredes é utilizada na curta-metragem de Cândido da Costa Pinto Rendas de Metais Preciosos.

1962 - Compõe a banda sonora do filme de Paulo Rocha, Verdes Anos, cujos temas são publicados em EP pela Alvorada.

1964 - Compõe a banda sonora do filme de Jorge Brun do Canto, Fado Corrido.

1967 - É editado pela Valentim de Carvalho o primeiro longa-duração de Carlos Paredes, Guitarra Portuguesa, gravado nos estúdios da Valentim de Carvalho. O álbum é acompanhado por um texto de Alam Oulman, habitual colaborador de Amália.

1968 - Música de Carlos Paredes é utilizada nas curtas-metragens A Cidade, de José Fonseca e Costa, e Tráfego e Estiva, de Manuel Guimarães.

1972 - O LP Movimento Perpétuo é dividido em 3 EP publicados com uma semana de intervalo: Movimento Perpétuo, Mudar de Vida e António Marinheiro.

1975 - Regressa brevemente a estúdio para retomar as gravações do terceiro LP, interrompidas dois anos antes, mas durante o pouco tempo que está em estúdio apenas grava de novo algum do material já terminado. O disco ficará de novo inacabado.
É publicado pela Valentim de Carvalho o LP É Preciso Um País, onde o poeta Manuel Alegre diz poemas de sua autoria acompanhados à guitarra por Carlos Paredes.


1977 - Uma compilação de Carlos Paredes, intitulada Meister der Portugiesischen Gitarre, é publicada na República Democrática Alemã pela editora Amiga.

1980 - Estreia-se no Bobino em Paris, acompanhado por Fernando Alvim, em primeira parte de Paco Ibañez, numa actuação de três semanas.

1988 - Guitarra Portuguesa é editado em CD pela primeira vez.
Carlos Paredes publica o seu terceiro álbum de estúdio em nome próprio e primeiro para a PolyGram, Espelho de Sons. O álbum entra directamente para o 3.º lugar do top oficial de vendas.

1990 - É publicado Dialogues, um álbum em dueto com o contrabaixista de jazz Charlie Haden.
Out. - É editado em CD Concerto em Frankfurt.
Carlos Paredes assina pela EMI-Valentim de Carvalho, regressando à companhia onde gravara os seus momentos mais emblemáticos. Inicia pouco depois as gravações de um novo álbum de material original, que ficarão incompletas devido à doença, do foro neurológico, que acometerá o guitarrista.

1991 - Carlos Paredes e a sua acompanhante e companheira, Luísa Amaro, participam como convidados especiais no concerto dos Madredeus no Coliseu de Lisboa, concerto que será gravado e publicado em duplo CD em 1992 com o título Lisboa.

1992 - Carlos Paredes regressa aos palcos, em dois espectáculos no Teatro São Luís filmados pela RTP em alta definição.

1993 - É diagnosticada a Carlos Paredes uma mielopatia (hérnias na medula) que lhe prende os movimentos, impossibilitando-o de manejar a guitarra. Fica internado numa casa de saúde, em Campo de Ourique, Lisboa.

1994 - Aproveitando o 20.º aniversário do 25 de Abril, a EMI-VC edita em CD o álbum de Manuel Alegre É Preciso Um País.
Nov. – É editado em CD o álbum com António Victorino d'Almeida, Invenções Livres.

1996 - EMI-Valentim de Carvalho publica Na Corrente, compilação que reúne todo o material inédito em disco que Carlos Paredes deixara gravado para a Valentim de Carvalho antes da sua saída da editora em 1980, e algumas raridades: os seis temas que haviam ficado completos nas sessões de gravação interrompidas de 1973, os dois temas do single «Balada de Coimbra», publicado em 1971 e nunca incluídos em nenhum LP, e duas gravações inéditas, «O Fantoche» e «Na Corrente». O álbum atinge rapidamente o top-20 oficial de vendas de álbuns compilado pela AFP.

2004 - Carlos Paredes morreu a 23 de Julho.




Descansa em Paz

publicado por Anjo do Sol às 08:24
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