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Segunda-feira, 5 de Abril de 2004
Álvaro de Campos

Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei-de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto.
Eu Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim se sente.
                                                                       Álvaro de Campos

publicado por Anjo do Sol às 22:43
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1 comentário:
De Anónimo a 6 de Abril de 2004 às 13:06
Todos nós nos sentimos por vezes assim...
Pelo menos a mim acontece-me... ;o)meialua
(http://recortesaoluar.blogs.sapo.pt)
(mailto:luamagica@hotmail.com)

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