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Domingo, 18 de Julho de 2004
Cair do Pano - Não era de G. G. Marquez!!

Dizem, do texto colocado no post anterior, que foi escrito por Gabriel Garcia Marquez.
ParEce que se tem caído nesse erro, desconhecendo-se a verdadeira origem do Marionetes, Carta de Despedida, Poema de Despedida, ou qualquer outro nome que lhe queiram dar. Têm sido vários.
Abaixo fica a transcrição de um artigo que recebi ontem por E-Mail, que vem desmentir, precisamente essa fraude.

Quem souber de mais alguma informação... transmita aqui. E deixem a vossa opinião.

Não coloco na íntegra o que recebi, mas fica aqui a maior parte de um texto, segundo indicação, terá sido escrito por Betty Vidigal, num artigo para um jornal ou revista.


«Qualquer pessoa que tenha intimidade com literatura percebe, ao primeiro relance, que Gabriel García Márquez não escreveria algo como Marionetes.
Que razões teria Gabo para se “despedir”? Em 24 de junho de 1999, ele se internara em uma clínica de Bogotá, queixando-se de intenso cansaço. Em 13 de setembro, recebeu de médicos de Los Angeles o diagnóstico de um câncer linfático. O tratamento começou imediatamente e poucas semanas depois anunciava-se que a saúde do autor de Cem Anos de Solidão havia melhorado. No entanto, em 29 de maio de 2000, o jornal peruano La Republica publicou La Marioneta como sendo “um poema de despedida que García Márquez enviou a seus amigos mais próximos, devido ao agravamento de sua doença.”
Em 30 de maio, todos os jornais do México reproduziam a notícia do La Republica. O La Crónica dizia, em manchete: “Gabriel García Márques canta uma canção para a vida”. Era um poema sentimental, cheio de lugares-comuns.
Inicialmente, o autor de Cem anos de Solidão – que desde 1975 vive no México, em um casarão antigo restaurado por ele mesmo, mas estava em Los Angeles naquele momento – não se deu ao trabalho de negar a autoria. Disse a amigos que o texto era tão ruim (ainda que possa parecer admirável para algumas pessoas) que não valia a pena perder tempo com isso. Naquela mesma semana outro texto, este de fato escrito por ele, sobre o náufrago cubano Elian Gonzáles, foi publicado em vários jornais com o título Shipwreck on Dry Land .
Em 31 de maio, porém, ao ver como se espalhava a crença de que ele de fato escrevera La Marioneta e estaria à beira da morte, García Márquez declarou: “Lo que realmente me puede matar es la vergüenza de que alguién me crea capaz de haber escrito un texto tan cursi , tán malo”, afirmação que foi reproduzida pelos meios de comunicação de todo o mundo. Quando leu o comentário de Márquez de que jamais escreveria algo tão ruim, o verdadeiro autor, o ventrílocuo Johnny Welch, veio a público declarando-se magoado: “A mí me duele profundamente que el señor García Márquez diga que él no se atrevería a escribir una cosa tan cursi, pero respeto su opinión. Yo no soy un letrado o una persona que haya estudiado Filosofía y Letras, soy un ser humano con la necesidad de comunicar lo que siente y lo hago con el corazón", disse ao jornal mexicano Reforma em 1º de junho de 2000.
(...)
Johnny Welch escreveu Marionetes para ser declamado, em shows, por seu títere Mofles. Quando se sabe disso, tudo se encaixa. Afinal, nenhum ser humano do sexo masculino teria motivos para dizer “aprendi tanto com vocês, homens...”. Já um boneco pode perfeitamente dizer isso. E, quando declara que vai ser guardado dentro de uma maleta – ora, onde mais você guardaria um boneco, se fosse ventríloquo? Claro que leitores inclinados a acreditar que se tratava de um poema-testamento interpretaram a “maleta” como um esquife.
Welch vive no México, onde tem certa fama. Isso de fama é coisa muito variável, localizada e regional. Enquanto o site americano Museum of Hoaxes se refere a “the obscure Mexican ventriloquist named Johnny Welch”, outro site, desta vez mexicano, intitulado “Famosos”, diz que “atualmente o ventríloquo Internacional Johnny Welch está em incursão pelo mundo da literatura promovendo suas duas obras mais recentes”. As obras em questão são dois livros, Lo que Me ha Enseñado la Vida e Hilos de Vida (suponho que os “fios de vida” sejam os que controlam os movimentos das marionetes...).
O texto aqui focalizado está no primeiro destes livros e tem o título de Si yo tuviera vida . A frase “Lo dice uma marioneta de trapo:” introduz o monólogo acima, chamado de “poema” por quem o divulgou. Ainda em 1º de junho – três dias depois de ter divulgado a falsa notícia inicial – La Republica publicou a seguinte nota: “Quem não merece a brincadeira de que foi vítima é Gabriel García Márquez. O texto que apareceu neste diário na última segunda-feira, na coluna de Mirko Lauer, é apócrifo. García Márquez tem seu câncer sob controle e nada previsível ameaça sua vida. Isto está confirmado. O texto publicado na segunda-feira foi enviado a Lauer pelo escritor Abel Posse, embaixador da Argentina no Peru, que o recebeu de amigos. Muitas vezes, insidiosamente, meteram-se com a vida de García Márquez. Agora querem meter-se com sua morte.”
Destrinchando-se a confusão, soube-se que Abel Posse recebeu o texto por e-mail da escritora Elizabeth Burgos, radicada em Paris. Ela, por sua vez, recebeu-o de Rosario Sosa, a quem não conhece. O e-mail tinha partido da Bélgica. Rosário Sosa, ao receber o “poema”, enviado por Donato di Santo, da Itália, enviou-o a 17 pessoas, entre as quais estava o presidente do Chile, Ricardo Lagos.
Antes de La Republica desmentir o que publicara, o jornal mexicano La Jornada tinha procurado confirmar a autoria de Marionetes. A secretária de García Márquez respondeu apenas: “El señor no escribe poemas.” A nota de correção no La Republica chegou tarde. Jornais do mundo inteiro já tinham reproduzido La Marioneta, com a informação de que se tratava de um “poema de despedida” de García Márquez . Como recolher todas as penas?
Embora esteja até mesmo em alguns sites de humor (acompanhado da advertência de que “nem tudo na vida é piada, leia esta reflexão do grande escritor colombiano, etc...”), a distribuição via e-mail é que foi responsável pela ampla divulgação do texto. Em geral, em forma de arquivos Power Point, com as inevitáveis ilustrações de flores, corações e quejandos, sempre explicando tratar-se de uma despedida “emocionada” enviada por Gabo a seus amigos mais próximos, por estar às portas de morte.
São evidentes as semelhanças entre este texto e aquele outro que foi apocrifamente atribuído a Borges, Instantes (o primeiro apócrifo a ser focalizado nesta série de artigos). Ambos falam em escalar montanhas e tomar sorvete, em dormir mais tarde ou dormir menos e, genericamente, falam no que se faria e não se fez durante a vida. Ambos, provavelmente, agradam ao mesmo tipo de leitor.
Segundo o site http://www.artistasmexicanos.com, Johnny Welch é licenciado em Direito, com especialização em Criminologia e criador de mais de vinte personagens. Este site diz que Don Mofles é um personagem “engraçado, de grande frescor e originalidade”. Mas, segundo o site peruano Vivências Literárias , é “um boneco que representa um velho malicioso que faz piadas pesadas”. O mesmo site Artistas Mexicanos diz: “considerado nos Estados Unidos como um dos ventríloquos mais importantes de fala hispânica, Johnny Welch recebeu em Cincinati o Distant Voice Award, prêmio mundial outorgado à sua habilidade e originalidade”. Depois que todo esse imbroglio se desenrolou, Joaquim Lopez Doriga, o principal âncora da Televisa, do México, reuniu García Márquez e Johnny Welch, acompanhado do boneco Mofles. Depois de passar o vídeo em que Gabo diz que não escreveria nada tão ruim, Doriga mostra o escritor dizendo a Johnny Welch que o poema é muito bonito, mas muito diferente de seu estilo. Posts em grupos de discussão dizem que García Márquez temia um processo por parte do ventríloquo, que alega ter vendido 20 mil exemplares do livro. Acredito que, pelo contrário, uma natural delicadeza de sentimentos o tenha levado a ser complacente.
O jornal Reforma de 7 de junho de 2001 relata que “Gabriel García Márquez visitou na terça-feira o ventríloquo Johnny Welch em sua casa em Lomas de Virreyes por aproximadamente uma hora, desculpou-se pelo que disse do poema e se deixou fotografar com o Mofles”.
Outro texto apócrifo circula na rede, atribuído a Gabriel García Márquez. Trata-se de uma “Carta a Bush”, sobre o atentado de 11 de setembro de 2001, nos EUA. O jornal equatoriano El Comercio diz, em 21 de fevereiro de 2003, que a agente do escritor, Carmen Balcells, que vive em Barcelona, na Espanha, e é responsável pela publicação de sua obra, nega enfaticamente que ele tenha escrito essa carta e ressalta que tudo que ele escreve passa por ela e nada é divulgado sem que ela leia antes – muito menos pela internet . Encerremos este artigo com uma declaração de Gabriel García Márquez, sim, autêntica: "Comecei a escrever por acaso, talvez somente para mostrar a um amigo que minha geração era capaz de produzir escritores. Depois caí na armadilha de continuar a escrever, por gosto. Aos doze anos estive a ponto de ser atropelado por uma bicicleta. Um cura que passava me salvou com um grito: “Cuidado!” O ciclista caiu por terra. O cura, sem parar, me disse: “Viu o poder da palavra?” Nesse dia eu soube.” »

publicado por Anjo do Sol às 00:04
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